Império-de-certezas-tão-importantes

Esse texto é um confessionário. Eu sou teimosa!

E uma teimosa das boas. Aquela que organiza 140 caracteres por segundo milimetricamente justificados após cada “é, mas…”, “só acho que…”, ou “e se…” qualquer.

Eu sou tão teimosa que até ME convenço que estou certa, mesmo que parte de mim não veja mais como me defender. Tão teimosa que me perco nos meus próprios argumentos. Teimei pra começar esse texto, mesmo tudo me dizendo que tinha que escrever. E agora to teimando que tenho terminar, mesmo me engasgando toda com as palavras. Meu dia é um eterno teimar, é sério.

Você deve imaginar que o jeito que descobri que sou teimosa não foi fácil. Então eu queria agradecer primeiramente a Deus, por ironicamente não desistir de mim. E queria agradecer Du, que além de um anjo é a pessoa que eu namoro, pela paciência. Que às vezes vira persistência; ambas muito diferentes de teimosia. Se você entende a diferença, parabéns, acho que você não é tão teimoso assim. Se você ficou com uma pulga atrás da orelha, tentando linkar as duas coisas por algum fio que abranda a densidade de ser um baita teimoso… talvez esse texto seja pra você.

Acredito que a teimosia tem sido muito romantizada num mundo que tem entre seus clássicos a música “quem acredita sempre alcança”, do Legião Urbana. A verdade é quem acredita nem sempre alcança, e quem alcança, raramente chega lá porque acredita em algo. Isso me faz lembrar da quantidade de gente bosta que a gente admira simplesmente porque fazem parte do seleto grupo de pessoas que “chegaram lá”, mesmo que “lá” nem seja tão legal assim. “Lá” pode ser um corpo perfeito, uma casa com cachorros, um carro do ano, uma foto de casal bonita no instagram, dormir sem culpa. Quem “chega lá” ostenta, e quem não chega, finge; ou tenta. É tão frágil esse eterno buscar que uma parte de nós, teimosos, teimamos em acreditar; porque não é um buscar curioso, é um buscar ansioso. E ai de quem botar defeito!

Essa teimosia — que reconheço, como boa taurina, é karma pra toda vida — tem também a sua parte mais feia: o ego. Um lugar confortavelmente blindado pelas palavras; uma casca enorme, dura e rude, geralmente sob algum tipo de ferida mal cicatrizada da primeira infância. Haja terapia. Ou melhor, hajam terapeutas!

Gostaria de pedir sinceras desculpas para as pessoas que machuquei com a minha teimosia pelo-caminho-até-aqui. E desde já, peço desculpas pras que ainda vou esbarrar com palavras mal organizadas engatilhadas bravamente para me defender de ameaças tão conspiratórias contra meu império de certezas-tão-importantes. Esse texto é uma tentativa de empregar melhor as palavras e com isso, organizá-las.

Sejamos menos teimosos!
(Ou melhor: Larissa, abaixa sua bola!)

--

Educadora, artivista, ansiosa. Registro andanças dentro e fora dessa cabecinha.

Get the Medium app

A button that says 'Download on the App Store', and if clicked it will lead you to the iOS App store
A button that says 'Get it on, Google Play', and if clicked it will lead you to the Google Play store
GiraGirar

Educadora, artivista, ansiosa. Registro andanças dentro e fora dessa cabecinha.